A Bizarra Situação do Mercado de Marketing Digital (e como aproveitá-la)


Muito, mas MUITO mesmo tem se falado sobre a carência de profissionais no mercado de Marketing Digital, já há algum tempo.

Mas, nas últimas semanas, várias visões e números pra lá de interessantes apareceram em cantos diferentes da internet. Tudo isso me fez refletir sobre várias coisas. E o resultado dessas reflexões está nesta página. Neste artigo, eu vou te mostrar:

  • Porque a real situação do mercado é ainda mais preocupante do que parece.
  • Como (e quanto) isso está impactando os salários da área.
  • Se você é um profissional, como aproveitar ao máximo essa situação.
  • Se você é um estudante, quais as melhores escolhas a se fazer.
  • Se você é um empresário, como transformar o problema em solução.

O assunto é quente.

estamos contratando

Já há alguns anos, o mercado brasileiro é carente de bons profissionais. Isso não é novidade. Mas a sensação clara que tenho é de que essa “peculiaridade” atingiu uma escala tão extrema em 2014, que está enchendo de perplexidade as pessoas que notam o que está acontecendo.

O Filipe Reis, meu sócio na Supersonic, é uma dessas pessoas. Ele publicou um “humilde” post no Facebook sobre o tema que se tornou uma longa discussão entre pessoas com a mesma sensação. Em seguida, esse post virou um artigo no site Publiminas, que também repercutiu entre muita gente importante. E poucos dias depois, a Proxxima também ganhou um artigo que mostra bem o quão inacreditável é a situação.

Esses são apenas alguns exemplos que ilustram o quanto tem se falado sobre a falta de mão-de-obra no mercado digital e o quanto esse tema repercute entre as pessoas.

O que é tão ridículo nessa história toda?

Eu tenho uma teoria pessoal sobre o que deixa os membros do mercado (me incluo nesse grupo) tão desesperados com essa situação.

Acredito que tudo isso é resultado da seguinte combinação:

  1. Se você se esconder por uma tarde na cozinha de uma agência digital ou “startup”, em qualquer canto do Brasil, eu diria que você tem cerca de 95% de chance de ouvir alguém reclamar que tem um salário muito baixo e/ou que sua condição de trabalho é horrível. Ou seja: muita gente está insatisfeita com sua posição atual.
  2. Uma parcela enorme das centenas (ou milhares?) de universitários que se formam mensalmente nas áreas de comunicação, marketing e computação tem dificuldades para encontrar um emprego.
  3. Você pode até dizer que outros mercados também compartilham das situações 1 e 2. Mas diferente deles, no mercado digital, você pode se tornar um profissional de elite somente consumindo conteúdo disponível DE GRAÇA na internet. Boa sorte tentando se tornar um grande cirurgião só lendo conteúdo online. Mas eu digo tranquilamente: você pode ser um excelente profissional no mercado digital só absorvendo conteúdo gratuito. Claro: se você puder pagar por bons cursos, a curva de aprendizado será bem menor. Mas sinceramente? Eles são puramente opcionais.
  4. Um bom profissional precisa de prática. E para inúmeras carreiras na internet, você consegue essa prática gastando nada ou quase nada. Com um  simples blog você já pode aprender absurdos sobre webwriting, design, analytics, front/back-end e muito mais. Boa sorte ganhando experiência em engenharia civil sem gastar nada.
  5. Mesmo com todos esses fatores, existem milhares de vagas abertas, muito difíceis de se preencher, em empresas de norte a sul do Brasil.

Se esse cenário não é ridículo para você, eu não sei o que mais pode ser.

O que está acontecendo com os salários?

Lei da oferta e procura, conhece? É exatamente isso que está acontecendo.

Segundo a Page Personnel, em 2013, os salários de Marketing Digital chegaram a ficar 40% maiores do que os de 2012. E você reclamando da inflação de 5% no Brasil.

Quer números exatos? A ABRADI fez um excelente trabalho levantando os salários de vários cargos em 2013. Aqui está o resultado:

salários de marketing digital

Crise é sinônimo de oportunidade.

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Se você é um profissional da área, é assim que você deveria enxergar a situação atual. Os salários da tabela acima estão em crescimento constante. Isso quer dizer que você é a cada dia mais valorizado.

Mas para acompanhar essa inflação do mercado, você precisa também estar em evolução constante. Aprendendo novos conceitos, novas formas de trabalhar e sendo capaz de entregar um ROI cada vez melhor para seus clientes. Caso contrário, não se engane: você não vai acompanhar esse crescimento e/ou será descartado.

E se você é um estudante, o mundo está sorrindo para você. Existem muitas coisas que você deveria fazer para aproveitar essas oportunidades gigantescas. Eu falo delas em mais detalhes na palestra que fiz em 2013 para os alunos de comunicação da PUC-MG. Mas resumindo em uma frase, é o seguinte: não seja ridículo, esqueça a ideia de que a faculdade vai te ensinar o que você precisa saber e faça conexões.

E se você é empresário?

Você tende a ser o maior prejudicado nessa história. Sem a devida atenção, você vai sangrar. Mas para transformar esse risco em oportunidade, minhas principais sugestões são:

  • Tenha um processo eficiente para encontrar talentos. Pode ser que você pessoalmente (ou alguém de confiança na empresa) fique de olho nos responsáveis pelos melhores trabalhos que estão sendo produzidos. Ou pode ser que você contrate uma empresa para encontrar os talentos para você. A escolha é sua. O importante é não ser leviano de achar que uma simples publicação no Facebook vai trazer os melhores talentos do país para sua vaga.
  • Pague bem. Pelo menos a média do mercado. Pare com essas histórias de “somos uma empresa com muito futuro”, “queremos que você aposte junto com a gente”, “no momento só podemos pagar X. Mas isso pode melhorar muito”. Isso não funciona mais com nenhum profissional minimamente razoável. Se você não pode pagar a média do mercado, cobre mais dos seus clientes ou encontre uma maneira de sobreviver com uma equipe fraca.
  • Não pague só em dinheiro. Um bom salário é fundamental. Mas hoje somente isso não basta. Na Supersonic, por exemplo, nós oferecemos benefícios que praticamente nenhuma outra empresa pode oferecer. Trabalhar de onde quiser e na hora que quiser são alguns deles. Descubra o que você pode oferecer.

Seguindo esta receita, enquanto seus concorrentes estarão perdendo profissionais para outras empresas e mercados, você estará montando (e retendo) um grande time. Não existe diferencial competitivo melhor.

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8 Comentátios

  1. Grande Rafael,

    Sua sensatez é uma das qualidades que te diferem entre muitos outros e te destaca como uma ótima referência para os iniciantes. É como você disse: existe muita coisa boa e gratuita, está tudo aí. Basta acabar com a preguiça e correr atrás. E também ter humildade e saber começar por baixo. Os bons salários aparecem juntamente com os resultados.

    Abraços!

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  2. Sensacional artigo, Rafael!

    Concordo com você, tenho aprendido bastante sobre Marketing Digital da maneira que você citou: somente aproveitando todo conteúdo de qualidade que é disponibilizado gratuitamente, participado de grupos com profissionais feras, lendo bastante e acompanhando as pessoas certas através de eventos ou hangouts.
    Isso já é um ótimo começo para as pessoas que querem entrar ou se aprofundar neste mercado. Como disse meu amigo João Paulo, basta deixar a preguiça de lado e estar sempre um passo à frente! ;)

    Grande abraço!

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  3. Pertinente seu texto, mas confesso que ao ler o título esperava algo mais impactante. Nada do que você abordou é novidade. Mas a minha experiência recente no mundo das agências de publicidade tem me mostrado um lado obscuro. Não importa o quanto você se qualifique, o quanto você esteja disposto a aprender, algumas empresas simplesmente não parecem se importar. Sou formada em Jornalismo e nunca me interessei em trabalhar em agência. Mas por obra do destino, me encontro na segunda experiência como redatora. Poucas estão preocupadas com estrutura, funcionários e éticas. Todas visam lucros, prêmios e fama. Sem contar que o mercado mineiro é tão tradicional que chega a dar preguiça.
    Lembrando que as vagas exigem tantos requisitos, tantas formações, que na hora de ver o salário, você acha que será recompensado, mas na verdade, o que vai acontecer é uma ‘queda de queixo’.
    Enfim, posso estar tomada por uma visão errada e cheia de preconceito, mas infelizmente não enxergo toda essa vantagem não. :p

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    • Olá Flávia,

      Obrigado pela mensagem.

      Minha intenção principal não era trazer novidades. Mas sim uma visão geral do que está acontecendo e o que eu acredito que cada perfil deveria estar fazendo.

      Bom, não ficou claro para mim se a sua indignação é com as agências que você trabalha/trabalhou ou se é com o mercado como um todo.

      Se o problema é com a agência e você acha que não vai melhorar, procure uma concorrente melhor. Eu acho que a vida é curta demais para ficarmos em lugares que não nos agradam. E eu te asseguro que não são todas as empresas do mercado que “não valorizam”, “são muito tradicionais”, “só querem prêmios”, etc. Elas são a maioria. Mas não são todas.

      Se a média salarial geral do mercado (tabela no post) não te agrada, identifique as oportunidades que pagam acima dessa média e faça o que tiver que ser feito para conquistá-las.

      Se você acha o salário máximo mais baixo do que deveria ser, você sempre tem a opção de criar algo próprio no mercado e se pagar o que achar justo.

      Se nem a profissão, nem os salários, nem as empresas existentes no momento te agradam, realmente não é vantagem para você atuar nele.

      Um abraço

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  4. Isso só me motiva a estudar ainda mais, você disse tudo o que eu já pensava ser realidade mas não tinha muitas informações para confirmar.
    Background + Know How = $

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  5. Rafael,
    Incrível seu texto. Ultimamente, venho pensando em mais um ponto: quanto tempo será que vai levar pra poeira dessa “caça ao talento” baixar e as empresas terem uma noção clara do que exatamente são os talentos e competências buscados por elas. Porque acho que essa é outra parte da questão: os contratantes parecem não ter visão do que precisam, do que é importante em um profissional digital. Experiência? Técnica? Capacidade de ação rápida, autonomia? E quais são as competências desejáveis para cada área daquela tabela? Por exemplo: redator de agência tradicional, como eu, vai ter que ser humilde e se permitir reaprender (mesmo!) a fazer conteúdo no digital: os critérios dos textos são outros, a forma não é mais “fôrma” – tem que ser testada e experimentada (com monitoramento e escuta, coisa que redator não costuma fazer porque adora escrever “pra si”) e, se mudou se cliente, começa de novo. Não tem uma fórmula, mais… Ao menos não acredito nela. E as empresas, ao contratar, colocam muitas fichas nos profissionais novos, jovens: por vezes, acho que eles recebem toda a pressão de renovação do mercado em suas costas, sozinhos! Enfim, seguimos. Pequenas revoluções feitas por segundo, a cada profissional que investe em si mesmo (e no mercado). Um dia de cada vez, não é mesmo?
    Obrigada pelos insights que seu texto provoca: é um ótimo começo, em especial para quem atua na formação do mercado!

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  6. Estou muito decepcionada com esse mercado atualmente.
    Os salários estão cada vez menores e as exigências cada vez maiores.
    Só fazer uma busca de vagas no Google.. verá que, exigem coisas absurdas, como: algumas certificações, um bom tempo de experiência comprovada, inglês fluente, CNH, disponibilidade para viagens, conhecimentos avançados em ferramentas de design… tudo isso para ganhar míseros 1.300, 1.500, que é o que se ganha exercendo funções operacionais, administrativas… enfim…

    Para quem é recém formado o pesadelo é ainda maior: vagas que exigem já um bom tempo de experiência (coisa que poucos têm ao se formar). Eu passei por isso e quem também já passou há de concordar.

    e aí eu me pergunto: e todo o dinheiro investido no curso da faculdade? será que valeu a pena investir? e o retorno financeiro disso tudo?

    Claro, eu concordo que todo profissional deve acompanhar as mudanças mercadológicas, se atualizar com frequência, buscar fazer cursos, ter certificações em dia, entrar em um bom curso de inglês…
    Acontece que mesmo você buscar ser uma pessoa estudiosa autodidata, as chances de boas colocações no mercado são pequenas, pois preferem experiência a conhecimento.
    Experiência é tudo. Se você tiver mais de 4 anos de experiência em diversas ferramentas de Marketing Digital, parabéns, você está bem empregado (ou não).

    Nas empresas você é um número. Você é só resultado. Não é uma pessoa que merece motivação profissional, incentivos, etc etc.. você só está ali para fazer a empresa lucrar e que se ferre você, que continue ganhando um salário péssimo.

    Por isso há essa carência de profissionais e falta de motivação no trabalho.

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